domingo, 10 de abril de 2011

Joaninha


Coleópteros


Joaninha é o nome popular dos insectos coleópteros da família Coccinellidae. Os cocinelídeos possuem corpo semi-esférico, cabeça pequena, 6 patas muito curtas e asas membranosas muito desenvolvidas, protegidas por uma carapaça quitinosa que geralmente apresenta cores vistosas.



 Podem medir de 1 até 10 milímetros, vivendo até 180 dias. Como os demais coleópteros, passam por uma metamorfose completa durante seu desenvolvimento; seus ovos eclodem em 1 semana e o estágio larval é de 3 semanas, durante o qual o insecto já apresenta a mesma alimentação do adulto (imago). As larvas, geralmente, tem corpo achatado e longo, com tubérculos ou espinhos e faixas coloridas ao seu longo. Possui duas antenas que servem para sentir o cheiro e o gosto. Há cerca de 4500 espécies na família, distribuídas por 350 géneros, distinguíveis pelos padrões de cores e pintas da carapaça.



As joaninhas são predadores no mundo dos insectos e alimentam-se de afídeos, moscas da fruta, pulgões, piolhos da folha e outros tipos de insectos, a maioria deles nocivos para as plantas. Uma vez que a maioria das suas presas causa estragos às colheitas e plantações, as joaninhas são consideradas benéficas pelos agricultores. 



Apesar da grande utilidade, estes insectos sofrem ameaça dos agro tóxicos utilizados pelos agricultores em suas plantações, embora a maioria das espécies não seja considerada como ameaçadas.

Abelharuco-comum

Merops apiaster




O abelharuco-comum é uma ave de médio porte, com 25 a 30 cm de comprimento. É muito colorido, com plumagem de cores muito distintas: o dorso é castanho escuro na zona da cabeça, com gradação para amarelo para a área posterior e asas; a garganta é amarela, com uma bordadura fina de negro; o peito e zona ventral é azul claro; as asas são verdes com uma mancha central castanha-clara; tem uma máscara negra em torno dos olhos.




 Têm uma alimentação baseada em insectos, principalmente abelhas e vespas, como o seu próprio nome comum do grupo indica. As presas são caçadas em voo e antes de ingerir a sua refeição, o abelharuco retira o ferrão do insecto esmagando-o contra uma superfície dura.




O ninho é construído num túnel, que pode atingir 2 metros de comprimento, escavado pelo casal no solo ou em bancos arenosos de rios. O túnel é forrado com folhas ou restos de insectos. A postura tem 2 a 6 ovos, incubados ao longo de cerca de 20 dias por macho e fêmea. Os juvenis são alimentados por ambos os progenitores durante cerca de um mês, no ninho, e permanecem mais ou menos dependentes por mais três semanas fora do ninho.






quinta-feira, 7 de abril de 2011

Lagarta Borboleta-das-couves

Pieris-brassicae





Cobra-de-escada

Rhinechis-scalaris (juvenil)


Identificação - Cobra robusta e de grande tamanho. Cabeça larga, bem diferenciada do resto do corpo, com focinho pontiagudo e proeminente relativamente à mandíbula inferior. Olhos pequenos, com pupila arredondada e íris de cor castanha-escura. Dorso com duas linhas escuras longitudinais, sobre uma coloração de fundo acastanhada, amarelada ou ligeiramente rosada. Apresenta pequenas manchas escuras na cabeça e na zona de sutura das escamas labiais, e possui frequentemente uma banda escura desde a parte posterior do olho até à comissura da boca. Ventral mente, apresenta tons esbranquiçados, acinzentados ou amarelados, sobre os quais podem aparecer manchas escuras.



Habitat - Habita numa grande variedade de biótipos, ocorrendo preferencialmente em áreas secas e expostas. Encontram-se em zonas de matos, clareiras de bosques caducifólios ou de pinhais, e campos agrícolas, podendo ocorrer também em meios rurais e urbanos, sobretudo em muros de pedra, ruínas ou telhados de habitações.


Comportamentos - É uma espécie de hábitos essencialmente diurnos, mas durante os meses mais quentes pode exibir também alguma actividade crepuscular e nocturna, sobretudo em busca de alimento ou de um par para acasalar. Passa por um período de inactividade invernal. Extremamente voraz, ao encontrar um ninho de roedores é capaz de engolir um deles enquanto mantém mais duas ou três crias semiestranguladas com o corpo, as quais engole de seguida, uma a uma, com inusitada rapidez.




Reprodução - A sua reprodução ocorre desde o final da Primavera até meados do Verão. A agressividade da espécie pode ser observada também durante o acasalamento, pois em certas ocasiões, no acto da cópula, o macho chega a morder a fêmea no dorso. As fêmeas depositam entre 4 a 24 ovos, normalmente debaixo de pedras, em tocas abandonadas de micromamíferos ou em buracos por si cavados.




Dieta - A sua dieta baseia-se no consumo de micromamíferos, diversos répteis (sobretudo a lagartixa-mato-comum, a lagartixa-de-dedos-dentados e o sardão), juvenis de coelho-bravo e lebre e várias aves, destacando-se neste caso a sua acção predadora sobre os ninhos.
http://naturdata.com/Rhinechis-scalaris-2047.htm


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Colhereiro

Platalea leucorodia


Características e identificação - O Colhereiro (Platalea leucorodia) pertence à família Threskiornithidae e é o único representante desta família (que inclui várias espécies de ibis) com presença regular em Portugal. Com cerca de 80 a 90 cm de comprimento, 115 a 130 cm de envergadura, pescoço e patas compridas e uma plumagem maioritariamente branca, o Colhereiro assemelha-se a uma garça-branca de grande dimensão. Apresenta, no entanto, pescoço e patas mais longas, plumagem de um tom branco-creme e um bico inconfundível, comprido e terminando em forma de colher. Na plumagem nupcial os adultos apresentam uma poupa de penas amarelo-pálido, uma mancha alaranjada na base do bico e uma banda alaranjada à volta do peito. O bico é preto com a extremidade alaranjada na estação reprodutora; as patas são pretas. Nos juvenis as pontas das asas são pretas; o bico é cor-de-rosa, tornando-se preto no primeiro Inverno. Trata-se de uma espécie que não oferece qualquer dificuldade de identificação quando bem observada, nomeadamente quando é possível observar o seu bico inconfundível.

Distribuição e abundância - Distribui-se de forma dispersa na Europa, principalmente nas regiões orientais, estando presente no Ocidente, mas ausente no Norte. Quase três quartos da população mundial nidificam na Europa (entre 5.000 e 9.000 casais), localizando-se os principais núcleos reprodutores na Rússia, Turquia, Hungria, Ucrânia, Países Baixos e Espanha. Para além do Paleárctico Ocidental, nidifica da Ásia Central, até ao Norte da China e desde a Índia até à costa africana do Mar Vermelho, e inverna no Norte de África. Em Portugal está presente no litoral sul do país como invernante, concentrando-se a maioria destas aves nos Estuários do Tejo e Sado, na Lagoa de Santo André e, principalmente, na Ria Formosa e Castro Marim. Como nidificante é raro, tendo mesmo chegado a desaparecer. No entanto, na última década estabeleceu-se novamente como nidificante no Paúl do Boquilobo, em Pêro Pião e na Ria Formosa.
Estatuto de conservação - Esta espécie encontra-se em acentuado declínio no que respeita a mais de dois terços da sua população, embora se registe um actual aumento na Europa Ocidental. Em Portugal tem estatuto de vulnerável. A nível europeu encontra-se protegido pelas convenções de Cites (Anexo II), Bona (Anexo II) e Berna (Anexo II) e ainda pela Directiva Aves (Anexo I).
Factores de ameaça - As principais causas de declínio desta espécie são a perda de locais de nidificação e de alimentação, devido às drenagens, deterioração e perturbação das zonas húmidas. Outros factores de ameaça são a exploração de ovos e crias e a poluição dos corpos de água utilizados como áreas de alimentação.
Habitat - Ocorre principalmente em zonas de clima quente, penetrando localmente em regiões temperadas. Ocupa zonas húmidas de baixa altitude e, de um modo geral, junto à costa, nomeadamente deltas de rios, estuários, lagoas e pauis. Os colhereiros necessitam, para se alimentar, de águas pouco profundas e de fundo lamacento. As colónias estabelecem-se em extensos caniçais, geralmente com arbustos e árvores, ou em ilhas, em locais seguros em relação à perturbação e a predadores terrestres.
Alimentação - Os colhereiros procuram o alimento em águas pouco profundas, em geral até aos 30 cm de profundidade. Caminhando, muitas vezes em grupo, fazem passar o bico com movimentos ceifantes, na cadência dos seus passos, através das camadas fluidas de lama. Deste modo capturam animais que vivem na lama ou que ali se escondem, principalmente insectos e as suas larvas, incluindo Coleoptera, Odonata, Trichoptera, Orthoptera, Diptera e Hemiptera. Alimentam-se ainda de pequenos peixes, moluscos, crustáceos, rãs, répteis e algum material vegetal.
Reprodução - Trata-se de uma espécie colonial, que pode formar colónias mistas com outras aves palustres, nomeadamente garças e corvos-marinhos. Os ninhos são construídos em caniços velhos ou, pontualmente, em árvores, encontrando-se a uma altura superior a 5 metros. De um modo geral, no centro de uma colónia a densidade de ninhos é muito elevada, podendo os vários ninhos, ao longo do tempo, formar uma única plataforma. A época de postura ocorre em Abril, sendo colocados entre 3 a 4 ovos manchados (por vezes 5 ou 6, raramente 7), que são incubados durante cerca de 25 dias. Os juvenis atingem a emancipação com 50 dias de idade.
Movimentos - Esta é uma espécie migradora e dispersiva. Os juvenis fazem pequenas deslocações em Julho e Agosto, mas as aves adultas só abandonam as colónias em Setembro, voltando no ano seguinte, em geral, no mês de Março. A migração é principalmente diurna, sendo comum observar bandos de colhereiros em formação. As populações nidificantes na Europa passam o Inverno na bacia do Mediterrâneo e no Nordeste de África, com excepção de algumas populações do Leste, que podem invernar no Médio Oriente e na Índia.
Curiosidades - A recolha de dados, através da leitura de anilhas, relativos à proveniência das aves reprodutoras em Portugal demonstrou que aquelas que nidificam na Ria Formosa e em Pêro Pião são maioritariamente de origem espanhola, enquanto que as do Boquilobo são, em geral, holandesas.

Locais favoráveis de observação - Em Portugal pode não ser uma espécie de fácil observação, uma vez que está restricta a poucas zonas húmidas nacionais. O Paúl do Boquilobo, os Estuários do Tejo e Sado, a Lagoa de Santo André, a Ria Formosa e as salinas de Castro Marim são os principais locais de invernada da espécie, que só está presente como reprodutora no Paúl do Boquilobo, em Pêro Pião e na Ria Formosa.


Garça-branca-pequena

Egretta garzetta



Identificação - Distingue-se principalmente pela brancura da sua plumagem.
É uma garça de tamanho médio com um longo pescoço em forma de S, que está encolhido quando voa. A plumagem é totalmente branca e por vezes podem ser notadas algumas plumas compridas na parte posterior da cabeça. O bico e as patas são pretos, mas os dedos são amarelos. Quando em alimentação, é geralmente uma ave solitária, embora ocasionalmente forme bandos esparsos. No entanto, reúne-se em grandes bandos nos dormitórios e nas colónias. Distingue-se da garça-boieira pelo pescoço mais comprido e pelo bico preto e não amarelo.
Por vezes observam-se indivíduos com a plumagem cinzenta, que poderão ser variações melanísticas ou híbridos.



Abundância e calendário - A garça-branca-pequena é sobretudo residente e pode ser vista em Portugal durante todo o ano. É mais abundante no litoral, especialmente na metade sul do território e é relativamente rara no interior norte, especialmente em zonas de altitude. Nidifica colonial-mente havendo colónias importantes no Ribatejo, no Alentejo e no Algarve.




Onde observar - Esta garça pode ser encontrada em praticamente todas as zonas húmidas costeiras e também ocorre em barragens e açudes.
Entre Douro e Minho – o estuário do Minho, o estuário do Lima e o estuário do Cávado são os dois principais locais de ocorrência desta garça, que também se observa no estuário do Douro.
Litoral centro – pode ser vista com facilidade na ria de Aveiro, no estuário do Mondego e na lagoa de Óbidos. Por vezes também aparece na foz do Lis e na zona de São Martinho do Porto.
Beira interior – pouco numerosa, ocorre principalmente na Beira Baixa, podendo ser vista junto a algumas albufeiras da região, como a albufeira da Marateca.
Lisboa e Vale do Tejo – esta garça é comum no estuário do Tejo e pode ser vista regularmente em todo o perímetro do estuário (no parque do Tejo, no sítio das Hortas, na ribeira das Enguias, no sapal de Corroios e nas lezírias da Ponta da Erva). Na região existem importantes colónias no paul do Boquilobo e no Escaroupim. Também aparece em pequenos números na várzea de Loures.
Alentejo – no litoral é comum e observa-se facilmente no estuário do Sado, na lagoa de Santo André e na ribeira de Moinhos. Mais para o interior, ocorre em barragens e açudes, como a lagoa dos Patos e as barragens do Roxo, de Odivelas, da Póvoa, de Montargil, do Caia e do Alqueva. Também ocorre ao longo de ribeiras, como por exemplo a ribeira de Seda junto a Alter do Chão.
Algarve – é regular nas principais zonas húmidas da região, nomeadamente na ria de Alvor, no Ludo, na ria Formosa e também no sapal de Castro Marim. Também aparece regularmente na lagoa das Dunas Douradas. Durante a época de nidificação pode ser vista uma grande colónia na Ponta da Piedade, perto de Lagos.



terça-feira, 29 de março de 2011

Lagartixa-ibérica

Podarcis hispânica


IDENTIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS
A Lagartixa-ibérica (Podarcis hispânica) é um sáurio (grupo de répteis vulgarmente conhecidos por lagartos) de tamanho médio, alcançando 18 cm de comprimento total (incluindo a cauda, que compreende cerca de dois terços do comprimento do animal). A cabeça achatada e as órbitas salientes são características diagnosticantes da espécie. A coloração é muito variável. No dorso, os indivíduos podem apresentar tons que vão desde o castanho claro ao verde intenso. Nos flancos, é comum a presença de um reticulado mais escuro, verde, castanho ou preto.
Nesta espécie o dimorfismo sexual é perceptível ao nível do tamanho, sendo os machos maiores do que as fêmeas, e na coloração, sendo o reticulado dos flancos em geral menos intenso nas fêmeas. Os juvenis são muito parecidos com os adultos apenas diferindo normalmente na menor pigmentação ventral e, claro, no tamanho.





DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
Ocorre em practicamente toda a Península Ibérica, na costa mediterrânica francesa e em áreas costeiras montanhosas do Norte de África. A taxonomia desta espécie é controversa estando em fase de revisão. Actualmente é reconhecida a existência de duas formas em Portugal. APodarcis hispânica tipo1, que se encontra a norte do rio Tejo, nas zonas norte e interior centro do País, e a Podarcis hispânica tipo2, que se distribui a sul e a oeste do território nacional.


ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO E FACTORES DE AMEAÇA
Considerada como “Não ameaçada” em Portugal. Não são conhecidas ameaças específicas a esta espécie, sendo mesmo bastante comum na maior parte da sua distribuição. Esta espécie faz parte do Anexo II da Convenção de Berna.




HABITAT
Ocorre numa grande variedade de biótipos, preferindo áreas abertas de substrato predominantemente rochoso como prados e olivais ou carvalhais dispersos. É também muito comum em zonas urbanas, utilizando as construções em ruínas ou os muros como refúgio. Distribui-se desde o nível do mar até aos 1600 metros de altitude na Serra da Estrela.



ALIMENTAÇÃO
É uma espécie insectívora alimentando-se principalmente de centopeias, moscas, escaravelhos, aranhas, gafanhotos e outros invertebrados. Em meios urbanos pode também consumir restos de alimentos e outros detritos.




REPRODUÇÃO
É uma espécie territorial onde cada macho defende o seu território de uma possível intrusão de outros machos concorrentes. A reprodução desta espécie inicia-se em Fevereiro, podendo a época de acasalamento estender-se até Abril. Durante o acasalamento os machos seguram as fêmeas mordendo-lhes o baixo ventre ou, mais raramente na base da cauda. As posturas, podem ser de um a cinco ovos, tendo normalmente lugar entre Abril e Junho. Deste modo, muitas fêmeas são capazes de efectuar duas e até três posturas por ano. O período de incubação é de cerca de dois meses, tendo a eclosão lugar a partir de Junho até Setembro. A longevidade desta espécie é de aproximadamente três anos.



COMPORTAMENTO
Tem hábitos diurnos, estando activa durante todo o ano se as temperaturas forem superiores a 13 ºC. O período de maior actividade é a Primavera. A sua temperatura corporal varia entre os 26 e 41ºC, utilizando o substrato rochoso como principal fonte de calor. O seu corpo e cabeça achatados maximizam o aproveitamento de fendas em muros, amontoados de pedras e outros substratos rochosos, locais de ocorrência preferencial. Como meio de defesa utiliza principalmente a fuga e a capacidade de autotomia da cauda. A autotomia consiste na existência de pontos de fractura que facilitam, neste caso, a separação da cauda do resto do corpo. Assim, em caso de um animal ser apanhado pela cauda por um predador, conseguirá fugir. Nesta eventualidade os músculos da cauda continuam a contrair-se, durante alguns segundos, mesmo depois desta ser separada do resto do corpo. Esta capacidade permite atrair a atenção do predador e a fuga ao animal. A cauda é posteriormente regenerada embora seja normalmente distinguível pela diferente coloração que apresenta.